Este guia foi escrito pelo Dr. Marcos Maranhão, médico de família. As informações são baseadas em evidências científicas atuais e na prática clínica diária. Cada paciente é único — consulte seu médico para orientação individualizada.
Vacinas Que Todo Adulto Deve Tomar — Calendário 2026
Por Dr. Marcos Maranhão — Médico de Família
1. Introdução: Vacina não é só coisa de criança
Se você acha que vacina é assunto para pediatra, prepare-se para rever esse conceito. A realidade é dura: a cobertura vacinal de adultos no Brasil é alarmantemente baixa. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), menos de 30% dos adultos brasileiros estão com o calendário vacinal em dia. Isso significa que milhões de pessoas estão circulando desprotegidas contra doenças que podem ser graves — e até fatais — na vida adulta.
Difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, febre amarela, pneumonia, herpes zóster: todas elas são preveníveis com vacinas seguras, eficazes e, na maior parte dos casos, disponíveis gratuitamente no SUS. O problema não é falta de acesso — é falta de informação.
Neste guia completo, vou detalhar exatamente quais vacinas você precisa tomar em cada fase da vida. Considere isto o seu "check-up vacinal" do ano. Pegue sua caderneta, veja o que está atrasado e marque uma visita à UBS mais próxima ou ao seu médico de confiança.
2. Vacinas para TODOS os adultos (18+ anos)
Estas são as vacinas que todo adulto brasileiro deve ter em dia, independentemente da idade. Se você nunca tomou ou está com o esquema incompleto, priorize regularizar estas primeiras:
Hepatite B — 3 doses que salvam o fígado
A hepatite B é uma infecção viral que ataca o fígado e pode evoluir para cirrose e câncer hepático. A transmissão ocorre por via sexual, sanguínea e de mãe para filho durante o parto. A boa notícia: a vacina tem eficácia superior a 95% e faz parte do calendário do SUS desde os anos 1990.
- Esquema: 3 doses (0 — 1 — 6 meses)
- Quem deve tomar: Todos os adultos que nunca se vacinaram ou não completaram o esquema. Não importa a idade — se você não tem comprovação vacinal, tome as 3 doses
- Dispensa reforço? Sim, para pessoas imunocompetentes as 3 doses conferem proteção por toda a vida
- Disponibilidade: Gratuita no SUS em qualquer UBS
Febre Amarela — dose única + reforço em áreas endêmicas
Com a reemergência da febre amarela em áreas de mata brasileiras nos últimos anos, esta vacina voltou ao centro das atenções. A doença é grave, com taxa de letalidade de 30 a 60% nas formas graves.
- Esquema: Dose única aos 9 meses (reforço aos 4 anos para crianças). Para adultos: se nunca tomou, tome 1 dose. Quem tomou antes de 2000 deve tomar 1 reforço
- Áreas endêmicas: Toda a região Norte, Centro-Oeste, parte do Nordeste (Maranhão, Piauí, Bahia) e Sudeste (MG, SP, ES, RJ). Se você mora ou vai viajar para essas regiões, mantenha-se vacinado
- Reforço a cada 10 anos? A OMS considera 1 dose suficiente para a vida, mas o Ministério da Saúde brasileiro recomenda 1 reforço para quem recebeu a primeira dose antes dos 5 anos de idade. Em áreas endêmicas, muitos serviços ainda orientam reforço a cada 10 anos para segurança adicional
- Disponibilidade: Gratuita no SUS
dT (Difteria + Tétano) — o reforço dos 10 em 10 anos
Você sabia que o tétano continua matando no Brasil? Em média, 200 casos por ano, com letalidade de 30%. A difteria, por sua vez, pode causar obstrução das vias aéreas e miocardite. A vacina dT protege contra ambas.
- Esquema: Reforço a cada 10 anos para a vida toda
- Quem nunca tomou: Esquema básico de 3 doses (0 — 2 — 4 meses, com reforço a cada 10 anos)
- Importante: Ferimentos sujos, perfurações ou mordeduras de animal podem exigir reforço antecipado (se a última dose foi há mais de 5 anos)
- Disponibilidade: Gratuita no SUS
Tríplice Viral (SCR) — sarampo, caxumba e rubéola
Sarampo voltou com força em 2018-2019 no Brasil, com mais de 40 mil casos confirmados. A vacina SCR (sarampo-caxumba-rubéola) é a arma mais eficaz contra essas três doenças altamente contagiosas.
- Esquema: 2 doses na vida para quem nasceu após 1960. Quem nasceu antes de 1960 é considerado naturalmente imune pela circulação intensa do vírus
- Profissionais de saúde: Precisam de comprovação sorológica (IgG positivo) ou 2 doses de SCR
- Disponibilidade: Gratuita no SUS
3. A partir dos 20-30 anos: dTpa — A tríplice bacteriana acelular
A dTpa (tríplice bacteriana acelular do adulto) protege contra difteria, tétano E coqueluche. A grande novidade aqui é a proteção contra coqueluche — uma doença que muita gente considera "infantil", mas que pode ser extremamente grave em bebês e causar tosse persistente por semanas em adultos.
- Quem deve tomar:
- Profissionais de saúde — a cada 10 anos, substituindo a dT
- Gestantes — 1 dose em cada gestação (a partir da 20ª semana)
- Familiares e cuidadores de bebês (avós, pais, babás) — 1 dose de reforço se a última dT foi há mais de 5 anos
- Qualquer adulto que queira substituir o reforço da dT pela dTpa
- Disponibilidade: Gratuita no SUS para gestantes e profissionais de saúde. Nas clínicas privadas, para o público em geral
4. A partir dos 45-50 anos: As vacinas que pouca gente conhece
Aqui chegamos nas vacinas "esquecidas" — aquelas que nem todo mundo sabe que existem, mas que fazem uma diferença enorme na qualidade de vida dos 50+.
Herpes Zóster (Shingrix) — 90% de proteção contra a dor fantasma
O herpes zóster, popularmente conhecido como "cobreiro", é a reativação do vírus da catapora que ficou dormente no seu corpo por décadas. Quando o sistema imunológico enfraquece (por idade, estresse, doenças), o vírus aproveita para atacar novamente — desta vez causando lesões na pele acompanhadas de uma dor neuropática que pode durar meses ou anos. Essa complicação, chamada neuralgia pós-herpética, é debilitante e de difícil tratamento.
- Vacina recomendada: Shingrix (recombinante, GSK) — a mais moderna disponível
- Esquema: 2 doses (intervalo de 2 a 6 meses)
- Eficácia: Reduz em mais de 90% o risco de herpes zóster e em cerca de 90% o risco de neuralgia pós-herpética
- Indicação: Adultos a partir de 50 anos (SBIm recomenda a partir dos 45). Também para adultos a partir de 18 anos com risco aumentado (imunossuprimidos)
- Disponibilidade: Apenas em clínicas privadas (não disponível no SUS atualmente). Consulte seu médico sobre o custo-benefício
Vacinas Pneumocócicas — proteção contra pneumonia, meningite e sepse
A pneumonia pneumocócica é uma das principais causas de hospitalização e morte em adultos acima de 50 anos. As vacinas pneumocócicas evoluíram muito nos últimos anos.
- Opções disponíveis (2026):
- VPC13 (Prevenar 13) — protege contra 13 sorotipos
- VPC15 (Vaxneuvance) — protege contra 15 sorotipos
- VPC20 (Apexxnar) — protege contra 20 sorotipos, a mais ampla
- VPP23 (Pneumovax) — protege contra 23 sorotipos, mas com resposta imune menos duradoura (polissacarídica)
- Esquema recomendado pela SBIm:
- Adultos 50+ sem comorbidades: 1 dose de VPC20 (ou VPC15 seguida de VPP23 após 1 ano)
- Adultos com comorbidades (diabetes, cardíacos, pulmonares, renais): esquema sequencial
- Disponibilidade: VPP23 gratuita no SUS para idosos e grupos de risco. VPC13/15/20 em clínicas privadas
5. A partir dos 60 anos: O calendário se intensifica
A partir dos 60 anos, o sistema imunológico envelhece junto com o resto do corpo — fenômeno chamado imunossenescência. É nessa fase que as vacinas se tornam ainda mais importantes.
Influenza (Gripe) — todo ano, sem falta
A gripe não é um "resfriado forte". A influenza A (H1N1, H3N2) e B matam milhares de pessoas todos os anos no Brasil, especialmente idosos e portadores de doenças crônicas. A vacina é reformulada anualmente para acompanhar as cepas circulantes.
- Esquema: 1 dose anual
- Disponibilidade: Campanha nacional do SUS todos os anos (geralmente entre março e maio). Também disponível em clínicas privadas durante todo o ano com as vacinas tetravalentes ou de alta dose (Fluzone High-Dose, recomendada para 60+)
- Dica: A vacina de alta dose (quadrivalente com 4x mais antígeno) está disponível em clínicas privadas e demonstrou 24% mais eficácia em idosos
Reforço dT / dTpa
Aproveite a campanha de vacinação contra a gripe para verificar se seu reforço de dT ou dTpa está em dia. Muitas UBS oferecem ambas no mesmo atendimento.
6. Gestantes e Profissionais de Saúde
Estes dois grupos merecem atenção especial por razões distintas, mas igualmente importantes:
Gestantes
- dTpa: 1 dose em cada gestação (idealmente entre 20ª e 36ª semana). Protege a mãe e transfere anticorpos para o bebê contra coqueluche, difteria e tétano
- Hepatite B: Se não vacinada ou esquema incompleto, completar durante o pré-natal
- Influenza: 1 dose em qualquer trimestre da gestação. Protege a gestante das formas graves de gripe
- dT: Se o reforço está atrasado, atualizar
Profissionais de Saúde
- Hepatite B (3 doses + verificação sorológica anti-HBs)
- dTpa (reforço a cada 10 anos)
- SCR (2 doses ou IgG positivo para sarampo e rubéola)
- Influenza (anual)
- Febre amarela (se atua em área endêmica)
7. Tabela Resumo por Faixa Etária
| Faixa Etária | Vacina | Esquema | SUS |
|---|---|---|---|
| 18+ (todos) | Hepatite B | 3 doses (0-1-6 meses) | Sim |
| Febre Amarela | 1 dose + reforço em áreas endêmicas | Sim | |
| dT (difteria + tétano) | Reforço a cada 10 anos | Sim | |
| SCR (sarampo, caxumba, rubéola) | 2 doses (nascidos após 1960) | Sim | |
| 20-30+ | dTpa (difteria + tétano + coqueluche) | 1 dose substituindo o reforço dT | Grupos específicos* |
| 45-50+ | Herpes Zóster (Shingrix) | 2 doses (2-6 meses) | Não |
| Pneumocócica (VPC20 / VPC15+VPP23) | 1 dose VPC20 ou esquema sequencial | VPP23 sim | |
| 60+ | Influenza (gripe) | 1 dose anual | Sim |
| Gestantes | dTpa (em cada gestação) | 1 dose a partir da 20ª semana | Sim |
| Influenza + Hepatite B se atrasada | Seguir esquemas padrão | Sim |
* Profissionais de saúde e gestantes recebem dTpa gratuitamente pelo SUS. Demais adultos: disponível em clínicas privadas.
8. Onde Tomar: SUS vs. Clínicas Privadas
SUS (gratuito): Todas as vacinas do calendário básico — Hepatite B, Febre Amarela, dT, SCR, dTpa (para gestantes e profissionais de saúde), Influenza (campanha anual), VPP23 (para idosos e grupos de risco), e reforços. Basta ir à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima com documento de identidade e sua caderneta de vacinação.
Clínicas privadas (pagas): Vacinas mais modernas que ainda não estão no SUS: Shingrix (herpes zóster), VPC13/15/20 (pneumocócicas conjugadas), dTpa para o público geral, vacina de gripe de alta dose (60+) e vacinas combinadas que reduzem o número de picadas. Os preços variam, mas muitas clínicas aceitam parcelamento e convênios.
Minha recomendação: Não deixe de vacinar por questões financeiras. O SUS cobre o essencial e faz muito bem. Se você puder investir nas vacinas mais modernas (Shingrix acima dos 50, VPC20, dTpa), o benefício é enorme — especialmente para quem tem mais de 50 anos ou comorbidades.
9. Conexão com sua Saúde: Check-up 40+
A vacinação é apenas uma das peças do quebra-cabeça da sua saúde. No meu consultório, costumo dizer que prevenir é mais barato — e menos doloroso — que tratar. Por isso, criei o Check-up 40+, uma avaliação completa que inclui:
- Revisão detalhada da sua caderneta vacinal
- Verificação de vacinas atrasadas e agendamento de esquemas
- Orientação personalizada sobre quais vacinas prioritárias para seu perfil (comorbidades, idade, profissão)
- Exames laboratoriais conforme sua faixa etária
- Avaliação de risco cardiovascular e metabólico
O Check-up 40+ está disponível em nossa loja online. Se você chegou até aqui, já deu o primeiro passo. Agora é agir: abra sua caderneta de vacinação, veja o que está faltando, e marque sua consulta. Sua saúde do futuro agradece.
Sobre o autor: Dr. Marcos Maranhão é médico de família, registrado no CRM-SP sob nº 179.208, e diretor clínico da Doctor365 AI. Acredita que informação de qualidade é o primeiro passo para uma vida mais saudável.
Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Consulte seu médico para recomendações personalizadas com base no seu histórico e condições de saúde.