🩺 Dr. Marcos Maranhão · Médico de Família

Vacinas Que Todo Adulto Deve Tomar — Calendário 2026

📅 Julho/2026 · 🏥 Campinas

Este guia foi escrito pelo Dr. Marcos Maranhão, médico de família. As informações são baseadas em evidências científicas atuais e na prática clínica diária. Cada paciente é único — consulte seu médico para orientação individualizada.

Vacinas Que Todo Adulto Deve Tomar — Calendário 2026

Por Dr. Marcos Maranhão — Médico de Família

1. Introdução: Vacina não é só coisa de criança

Se você acha que vacina é assunto para pediatra, prepare-se para rever esse conceito. A realidade é dura: a cobertura vacinal de adultos no Brasil é alarmantemente baixa. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), menos de 30% dos adultos brasileiros estão com o calendário vacinal em dia. Isso significa que milhões de pessoas estão circulando desprotegidas contra doenças que podem ser graves — e até fatais — na vida adulta.

Difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, febre amarela, pneumonia, herpes zóster: todas elas são preveníveis com vacinas seguras, eficazes e, na maior parte dos casos, disponíveis gratuitamente no SUS. O problema não é falta de acesso — é falta de informação.

Neste guia completo, vou detalhar exatamente quais vacinas você precisa tomar em cada fase da vida. Considere isto o seu "check-up vacinal" do ano. Pegue sua caderneta, veja o que está atrasado e marque uma visita à UBS mais próxima ou ao seu médico de confiança.

2. Vacinas para TODOS os adultos (18+ anos)

Estas são as vacinas que todo adulto brasileiro deve ter em dia, independentemente da idade. Se você nunca tomou ou está com o esquema incompleto, priorize regularizar estas primeiras:

Hepatite B — 3 doses que salvam o fígado

A hepatite B é uma infecção viral que ataca o fígado e pode evoluir para cirrose e câncer hepático. A transmissão ocorre por via sexual, sanguínea e de mãe para filho durante o parto. A boa notícia: a vacina tem eficácia superior a 95% e faz parte do calendário do SUS desde os anos 1990.

Febre Amarela — dose única + reforço em áreas endêmicas

Com a reemergência da febre amarela em áreas de mata brasileiras nos últimos anos, esta vacina voltou ao centro das atenções. A doença é grave, com taxa de letalidade de 30 a 60% nas formas graves.

dT (Difteria + Tétano) — o reforço dos 10 em 10 anos

Você sabia que o tétano continua matando no Brasil? Em média, 200 casos por ano, com letalidade de 30%. A difteria, por sua vez, pode causar obstrução das vias aéreas e miocardite. A vacina dT protege contra ambas.

Tríplice Viral (SCR) — sarampo, caxumba e rubéola

Sarampo voltou com força em 2018-2019 no Brasil, com mais de 40 mil casos confirmados. A vacina SCR (sarampo-caxumba-rubéola) é a arma mais eficaz contra essas três doenças altamente contagiosas.

3. A partir dos 20-30 anos: dTpa — A tríplice bacteriana acelular

A dTpa (tríplice bacteriana acelular do adulto) protege contra difteria, tétano E coqueluche. A grande novidade aqui é a proteção contra coqueluche — uma doença que muita gente considera "infantil", mas que pode ser extremamente grave em bebês e causar tosse persistente por semanas em adultos.

4. A partir dos 45-50 anos: As vacinas que pouca gente conhece

Aqui chegamos nas vacinas "esquecidas" — aquelas que nem todo mundo sabe que existem, mas que fazem uma diferença enorme na qualidade de vida dos 50+.

Herpes Zóster (Shingrix) — 90% de proteção contra a dor fantasma

O herpes zóster, popularmente conhecido como "cobreiro", é a reativação do vírus da catapora que ficou dormente no seu corpo por décadas. Quando o sistema imunológico enfraquece (por idade, estresse, doenças), o vírus aproveita para atacar novamente — desta vez causando lesões na pele acompanhadas de uma dor neuropática que pode durar meses ou anos. Essa complicação, chamada neuralgia pós-herpética, é debilitante e de difícil tratamento.

Vacinas Pneumocócicas — proteção contra pneumonia, meningite e sepse

A pneumonia pneumocócica é uma das principais causas de hospitalização e morte em adultos acima de 50 anos. As vacinas pneumocócicas evoluíram muito nos últimos anos.

5. A partir dos 60 anos: O calendário se intensifica

A partir dos 60 anos, o sistema imunológico envelhece junto com o resto do corpo — fenômeno chamado imunossenescência. É nessa fase que as vacinas se tornam ainda mais importantes.

Influenza (Gripe) — todo ano, sem falta

A gripe não é um "resfriado forte". A influenza A (H1N1, H3N2) e B matam milhares de pessoas todos os anos no Brasil, especialmente idosos e portadores de doenças crônicas. A vacina é reformulada anualmente para acompanhar as cepas circulantes.

Reforço dT / dTpa

Aproveite a campanha de vacinação contra a gripe para verificar se seu reforço de dT ou dTpa está em dia. Muitas UBS oferecem ambas no mesmo atendimento.

6. Gestantes e Profissionais de Saúde

Estes dois grupos merecem atenção especial por razões distintas, mas igualmente importantes:

Gestantes

Profissionais de Saúde

7. Tabela Resumo por Faixa Etária

Faixa Etária Vacina Esquema SUS
18+ (todos) Hepatite B 3 doses (0-1-6 meses) Sim
Febre Amarela 1 dose + reforço em áreas endêmicas Sim
dT (difteria + tétano) Reforço a cada 10 anos Sim
SCR (sarampo, caxumba, rubéola) 2 doses (nascidos após 1960) Sim
20-30+ dTpa (difteria + tétano + coqueluche) 1 dose substituindo o reforço dT Grupos específicos*
45-50+ Herpes Zóster (Shingrix) 2 doses (2-6 meses) Não
Pneumocócica (VPC20 / VPC15+VPP23) 1 dose VPC20 ou esquema sequencial VPP23 sim
60+ Influenza (gripe) 1 dose anual Sim
Gestantes dTpa (em cada gestação) 1 dose a partir da 20ª semana Sim
Influenza + Hepatite B se atrasada Seguir esquemas padrão Sim

* Profissionais de saúde e gestantes recebem dTpa gratuitamente pelo SUS. Demais adultos: disponível em clínicas privadas.

8. Onde Tomar: SUS vs. Clínicas Privadas

SUS (gratuito): Todas as vacinas do calendário básico — Hepatite B, Febre Amarela, dT, SCR, dTpa (para gestantes e profissionais de saúde), Influenza (campanha anual), VPP23 (para idosos e grupos de risco), e reforços. Basta ir à Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima com documento de identidade e sua caderneta de vacinação.

Clínicas privadas (pagas): Vacinas mais modernas que ainda não estão no SUS: Shingrix (herpes zóster), VPC13/15/20 (pneumocócicas conjugadas), dTpa para o público geral, vacina de gripe de alta dose (60+) e vacinas combinadas que reduzem o número de picadas. Os preços variam, mas muitas clínicas aceitam parcelamento e convênios.

Minha recomendação: Não deixe de vacinar por questões financeiras. O SUS cobre o essencial e faz muito bem. Se você puder investir nas vacinas mais modernas (Shingrix acima dos 50, VPC20, dTpa), o benefício é enorme — especialmente para quem tem mais de 50 anos ou comorbidades.

9. Conexão com sua Saúde: Check-up 40+

A vacinação é apenas uma das peças do quebra-cabeça da sua saúde. No meu consultório, costumo dizer que prevenir é mais barato — e menos doloroso — que tratar. Por isso, criei o Check-up 40+, uma avaliação completa que inclui:

O Check-up 40+ está disponível em nossa loja online. Se você chegou até aqui, já deu o primeiro passo. Agora é agir: abra sua caderneta de vacinação, veja o que está faltando, e marque sua consulta. Sua saúde do futuro agradece.


Sobre o autor: Dr. Marcos Maranhão é médico de família, registrado no CRM-SP sob nº 179.208, e diretor clínico da Doctor365 AI. Acredita que informação de qualidade é o primeiro passo para uma vida mais saudável.

Este artigo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Consulte seu médico para recomendações personalizadas com base no seu histórico e condições de saúde.